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O adeus ao mestre das curvas – Oscar Niemeyer

Postado em: 06/12/2012 Comentários (1)

Linha do tempo - Vida de Oscar Niemeyer

Falar de Niemeyer é praticamente ter uma aula de história. Não porque ele viveu por 104 anos, mas porque ele criou, mudou, organizou e gerou ícones durante essa trajetória. A história de sua obra se mescla com a própria história do Brasil.

Niemeyer nasceu em 15 de dezembro de 1907 e entrou para a escola de Belas Artes do Rio de Janeiro em 1929. Em 1932 ele faz estágio no escritório de Lúcio Costa, o que o impulsionou a ser um dos grandes nomes da Arquitetura. Com esta influência, em 36 teve a oportunidade de conhecer o arquiteto suíço Le Corbusier, que estava de passagem pelo Brasil, pois fora designado por Lucio Costa para colaborar com o projeto do prédio do Ministério da Educação no Rio.

Qualquer arquiteto ou estudante de arquitetura que lê essa pequena descrição de início de carreira percebe que realmente Niemeyer é também uma aula de História da Arquitetura. Afinal dois dos mais influentes arquitetos do movimento modernista guiaram seus primeiros passos na carreira.

Niemeyer logo adquiriu uma forma muito peculiar de projetar. Se no movimento modernista em geral predominavam as linhas retas, ele aproveitou seus partidos e transformou o concreto em curvas. Esse contraponto de linhas soltas é o que caracteriza sua obra em qualquer parte do mundo.

Niemeyer conseguiu fazer o que pouquíssimos arquitetos conseguem: sua obra transcende suas próprias convicções. Como ateu, projetou a Catedral de Brasília e a Igreja da Pampulha, obras incríveis em termos de sensação visual. Quem já visitou a Catedral de Brasília confirma o encantamento com seus vitrais. Sua própria descrição do projeto demostra esse seu desapego: “Gosto da ideia de uma catedral suspensa. Tenho de me preocupar em criar uma atmosfera serena para o crente falar com Deus.

E mesmo sendo comunista e ativista político, teve diversas obras encomendadas pelo Estado, pois sempre deixou claro que não acreditava na arquitetura como um instrumento de justiça social: “Urbanismo e arquitetura não acrescentam nada. Na rua, protestando, é que a gente transforma o País.

Entre essas obras a construção de Brasília é sem dúvida um marco. O plano piloto que se iniciou em 1956, no governo de JK trouxe traços ousados e o filho do modernismo criou o Itamaraty, o Palácio da Alvorada, o Congresso Nacional, a Praça dos Três Poderes, entre outros edifícios e monumentos.

Roteiro turístico

Suas obras, aliás, poderiam gerar um belo passeio pelo Brasil e pelo mundo. A cidade de Niterói é a segunda do país com o maior número de trabalhos do arquiteto. Além do Museu de Arte Contemporânea, que com sua forma orgânica procura se integrar à paisagem, existe um complexo de obras do arquiteto, chamado Caminho Niemeyer, que contempla algumas das suas construções mais recentes como o Teatro Popular, o Terminal das Barcas de Charitas, o Centro de Memórias Roberto Silveira e a Praça JK.

Ainda no estado do Rio, podemos encontrar uma das obras mais íntimas de Niemeyer, a Casa das Canoas. Aberta para a visitação, esta foi a residência que o arquiteto projetou, construiu e viveu por 10 anos. Ele nunca foi num arquiteto de residências, mas esta obra demonstra com clareza seus partidos modernistas com o uso do concreto, a laje curva da cobertura sobre pilares esguios, e a integração da edificação com o terreno, como prova a enorme pedra que faz parte da área da piscina. 

Partindo para São Paulo, o Edifício Copan é um exemplo da propriedade que Niemeyer tinha em trabalhar com as curvas. Construído na década de 50, ele quebrou as duras linhas retas do centro da capital paulista e democratizou o uso do espaço, com seis diferentes tipos de unidades habitacionais e um pavimento térreo totalmente integrado à cidade, misturando todas as classes sociais. Na zona oeste da cidade encontramos o Memorial da América Latina, contruído em 1989 com a missão de estreitar as relações culturais, políticas, econômicas e sociais do Brasil com os demais países da América Latina. Já no Parque do Ibirapuera encontramos várias obras de Niemeyer, como o Pavilhão da Bienal de São Paulo, o Auditório do Ibirapuera, a Oca, a grande marquise que abriga o Museu de Arte Moderna e uma das suas obras mais recentes, o Auditório do Ibirapuera, de 1999.

Aproveitando para falar de obras mais recentes, o arquiteto ainda deixou o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, construído em 2002 e apelidado de “o Olho” pela sua forma peculiar de unir as curvas. Em 2006 foi a vez de Goiânia ganhar o Centro Cultural Oscar Niemeyer e com o mesmo nome, o projeto de Duque da Caxias compreende o Teatro Municipal Raul Cortês e a Biblioteca Pública Leonel de Moura Bizola.

Além das inúmeras obras arquitetônicas espalhadas pelo Brasil, Niemeyer também ganhou fama internacional quando foi exilado por ser comunista na década de 60, durante a ditadura militar. Com um estúdio na Champs Elysées, em Paris, elaborou o projeto da sede da ONU em Nova York, EUA, a Universidade Constantine, na Argélia e a sede da editora Mondadori, em Milão, na Itália.

Neste período de exílio até os anos 80, Niemeyer influenciou toda a arquitetura mundial, pois suas amizades iam do pintor Cândido Portinari ao maestro Villa-Lobos, passando por Fidel Castro e Chico Buarque. Conviveu também com Jean-Paul Sartre em Paris. Apesar de ser um arquiteto de tanto sucesso, recebendo todos os prêmios imagináveis, inclusive o Pritzker em 1988, deixou uma lição de humildade na ocasião do seu centenário, quando disse que se resumisse a vida em uma palavra seria Solidariedade: “Os pobres ficam vendo os palácios de hoje sem poder entrar”, disse. “A vida não é justa. E o que justifica esse nosso curto passeio é a solidariedade”.

 

 

 

Da esquerda para direita: Itamaraty, Palácio da Alvorada e Congresso Nacional

Da esquerda para direita: Itamaraty, Palácio da Alvorada e Congresso Nacional

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Casa das Canoas - Floresta da Tijuca - RJ

copan

À esquerda Auditório do Ibirapuera; à direita Edifício Copan

Nos despedimos então desse passeio nada curto, diga-se de passagem, desse grande mestre das formas curvas, aproveitando para citar uma de suas próprias frases:

“Eu diria que sou um ser humano como outro qualquer, que vim. Deixo a minha pequena história que vai desaparecer como todas as outras.”

Oscar Niemeyer  – 1907 – 2012

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  1. pedro em 02/01/2013:

    acho que o tema da redação pode ser este

    Responder

Comentários (1):