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A utilização de softwares no ensino da Arquitetura e Urbanismo

Postado em: 02/05/2013 Comentários (10)

Quando pensamos em Arquitetura a figura que nos vem à mente, e que muitas vezes é representativa da área, é aquela de um arquiteto, uma prancheta e uma porção de lapiseiras, papéis, canetas e réguas. Mas, de fato, quantos arquitetos hoje em dia ainda utilizam essas ferramentas para a criação de projetos? Talvez, um ou outro profissional, que aprendeu a desenhar à mão ainda se senta à frente de uma prancheta para iniciar a concepção de um novo espaço arquitetônico, mas logo acaba por transferir para outro profissional (alguém do escritório, um arquiteto mais novo, um estagiário, ou um terceirizado) a tarefa de “digitalizar” essa concepção arquitetônica e colocá-la nos moldes atuais: a dos projetos assistidos por computador.

Arquiteto usando prancheta

O projeto assistido por computador

Essa evolução tecnológica dos desenhos arquitetônicos aconteceu com a chegada dos softwares CAD, inicialmente criados para auxilar os profissionais de desenho mecânico, na criação de peças e engrenagens. Seu uso pelo desenho de arquitetura foi uma adaptação, visto que os arquitetos ganhavam muito mais tempo na elaboração de seus projetos, e foi tão bem difundido que até hoje é a ferramenta mais utilizada para a elaboração de projetos arquitetônicos no mundo todo.

No final dos anos 80 e na década de 90, as ferramentas CAD eram vistas como uma parte do processo de concepção do projeto arquitetônico. Essa etapa de projetação pelo computador, implicava na premissa de que o projeto já estava previamente concebido e definido, ou seja, a criação já havia sido feita e discutida (muitas vezes na prancheta) e os desenhos técnicos eram elaborados como uma etapa final, onde haveria pouco a ser corrigido. A vantagem: erros ou modificações eram facilmente refeitos em softwares como o AutoCAD e bastava apenas salvar uma nova versão e mandar o projeto para nova plotagem. Voilá! Sem ter que redesenhar todo o projeto à mão, passar nanquim, fazer cópia heliográfica, etc, etc.

planta_baixa

Planta feita em AutoCAD

Só que, com a evolução dos softwares CAD, os estudantes de arquitetura da década seguinte, ou seja os alunos 2000, passaram a entender que projetar diretamente no computador era uma grande vantagem. Eu mesma, como arquiteta, confesso que raramente faço concepções à mão! Se existem softwares que me permitem precisão, escala e ainda me mostram como o ambiente vai ficar em 3 dimensões, conceber o projeto no papel para depois ter que colocá-lo no computador sempre me pareceu um pouco de “perda de tempo”. Mas isso, é uma opinião pessoal. Cada arquiteto tem seu processo criativo. Mas, como eu, muitos arquitetos da minha geração, pensavam e ainda pensam desta forma. E assim, os projetos começaram a nascer diretamente dos computadores.

E as pranchetas? Bom, elas viraram um acessório incrível para o primeiro ano de faculdade, onde aprendemos a ter noção de desenho, a partir do estudo de desenho à mão com lapiseira e papel. Ainda hoje considero que este tipo de estudo é extremamente necessário, e há uma certa concordância em relação à isso nas faculdades de arquitetura. Saber mexer bem em um software não significa necessariamente que o aluno tenha um bom entendimento do desenho. Então, o desenho à mão traz uma noção inicial ao aluno, de como as representações em desenho arquitetônico são feitas e traz uma noção mais ampla do projeto. Para um estudante que nunca antes viu ou desenhou uma planta baixa é ótimo! Mas, até onde este estudo de desenho à mão é válido para o mercado de trabalho?

A utilização dos softwares no mercado de trabalho

Cada vez mais as empresas criadoras de softwares vem evoluindo no seu processo de trabalho, permitindo, além da criação, a apresentação cada vez mais elaborada dos projetos em 3D. Aliado à isso, uma nova tecnologia de projeto chamada BIM (Building Information Modeling ou Modelagem de Informação da Construção) vem trazendo mais agilidade à todo o processo de projeto, desde sua concepção até a construção, revolucionando o mercado de trabalho e obrigando as instituições de ensino a adaptarem sua grade curricular. O conceito BIM envolve o gerenciamento de informações dentro de um edifício, desde a fase inicial de projeto, criando um modelo digital que abrange todo o ciclo de vida da edificação. Assim, se criarmos uma parede dentro de um software como o Revit (principal software com tecnologia BIM para Arquitetura), estamos criando não apenas duas linhas paralelas, mas sim um elemento construtivo, com quantidade de material, tipo de acabamento, área e volume, que podem ser quantificados e repassados à construção, minimizando erros.

projeto_revit

Projeto Arquitetônico elaborado no Revit Architecture

A tecnologia BIM traz um processo inteligente de elaboração de projetos interdisciplinares, ainda que o BIM não tenha chegado à todos os escritórios de arquitetura e engenharia. Algumas escolas de arquitetura começam a adaptar suas grades curriculares para ensinarem, além do tradicional AutoCAD, também o Revit, como parte integrante da formação dos futuros arquitetos. Infelizmente ainda existem faculdades e escolas de formação profissional que sentem dificuldades na adaptação ao ensino de softwares nas disciplinas de projetos.

Essa dificuldade se deve tanto ao fato de não haver condições físicas para o estudo individual (nem todas as escolas possuem um computador móvel disponível para cada aluno) e também pelo fato de alguns professores não estarem preparados e adaptados às novas tecnologias e softwares de projeto, o que impossibilita a educação por ferramentas de projeto por computador.

Infelizmente, o mercado de trabalho, cada vez mais procura profissionais capacitados a apresentarem projetos com imagens fotorealistas. Então, de que adianta ensinarmos nossos estudantes a se esmerarem em desenhar uma super perspectiva com pontos de fuga de um ambiente de interiores, se na realidade o que o mercado pede é que ele apresente uma imagem renderizada? Esta adaptação do ensino precisa acontecer de forma mais rápida e integrante da formação profissional.

Quartos

Perspectiva à mão e perspectiva fotorealista

Os softwares para Arquitetura e Urbanismo

O mercado de Arquitetura, Urbanismo, Interiores e Construção no Brasil está aquecido nos últimos anos, sem sombra de dúvida. Com isso existe um binômio de demanda por projetos e pressa na execução, que tem feito com que muitos profissionais procurem capacitação para melhorarem a qualidade e agilidade em seus projetos. O uso do Revit vem crescendo muito nos últimos 5 anos, e tende a evoluir cada vez mais, o que é ótimo, pois quanto mais profissionais aderirem à nova tecnologia, mais integração entre as equipes de projetos arquitetônicos e complementares, e menos problemas e interferências precisarão ser resolvidos em obra. Com isso economizamos, além de tempo e dinheiro, os recursos energéticos e humanos que envolvem todo o processo de quebra-quebra em uma obra, tornando tudo mais sustentável.

A sustentabilidade aliás, vem sendo tema de discussão em diversos campos da Arquitetura, envolvendo desde as construções até o Planejamento Urbano. Esta disciplina, em especial da formação do profissional de arquitetura, ainda vem sendo ensinada da forma tradicional, com mapas, lápis de cor e canetinhas, em grande parte das escolas. É possível estudarmos Urbanismo de outras formas, fazendo a simulação de planos diretores com softwares simples, como o SketchUp, utilizando um plugin, chamado Modelur. Além disso, é possível trabalharmos com dados georeferenciados, em softwares como o Civil 3D.  A Relidade Aumentada, já possibilita interagirmos com o meio urbano através de tablets e celulares, visualizando construções antes mesmo de elas estarem no terreno, fazendo análises de impacto ambiental, considerando simulações de sombras e ventos. Por isso precisamos capacitar urgentemente nossos estudantes para trabalharem com essas novas realidades. E muitos estudos destes já vem acontecendo em laboratórios de grandes universidades.

Realidade aumentada em Android

Em breve, nossos alunos de arquitetura e urbanismo sairão com formações mais completas, criando maquetes em Prototipagem Digital, simulando edifícios em Revit, fazendo reuniões de projeto utilizando a nuvem no AutoCAD. Os profissionais já formados, nós, da prancheta, do AutoCAD R14 (não, não o 2014!), da maquete em papel paraná, precisamos nos adaptar às novas realidades projetuais da geração computador. Os professores precisam ir ao encontro do que está sendo utilizado no mercado de trabalho para não ficarem distantes das novas realidades de projeto. Isso não quer dizer que a criatividade, a poesia do traço, precisem se perder. Ainda há espaço para o romantismo da arquitetura, a concepção as formas, a organização da fluidez dos espaços, mesmo em um mundo cada vez mais tecnológico. Resta apenas utilizarmos essa tecnologia a favor do ensino de projeto!

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  1. Anderson Lula Aragão - Arquiteto em 09/07/2014:

    Verifiquei que um de meus desenhos À mão livre está exposto em seu arquivo. Agradeço a preferência.

    Responder
  2. CADguru em 07/02/2014:

    Olá Jose,

    Os comentários, passam por aprovação por este motivo não são aprovados automaticamente.

    Atenciosamente.

    Responder
  3. Jose Antonio de Oliveira em 06/02/2014:

    Sou projetista industrial, trabalho com Autocad, Solidworks , e mexo um pouco no Scketchup, realmente a poesia do traço em uma perspectiva com ponto de fuga, principalmente se desenhada a mão livre, revela as habilidades artísticas do desenhista, porém no mundo de hoje precisamos ganhar tempo e reduzir as margens de erro, e para isso os nossos aliados são os programas de computação gráfica, o que também não deixa de ser uma arte.

    Responder
  4. Claudio Almeida em 18/12/2013:

    Parabens! Gostei muito do deste texto

    Responder
  5. alcides c melo. em 17/05/2013:

    ola.parabens por todo o seu talento e proficionalismo.perto de vc ainda sou muitopequeno.terminei um curso de desgner de interiores ao qual meus trabalhos teve muito destaque.sou muito bom em desenho a mão,faço ainda meus projetos a mão.irei fazer um curso auto cad para apresentar aos clientes um trabalho mais elaborado.grato.melo.

    Responder
  6. guido sanchez sarabia em 10/05/2013:

    estou com o interese de aprender o card proficionalmente, e desenvolvendo na area mais a cada dia que passa obrigado.

    Responder
    • CADguru em 15/05/2013:

      Olá Guido,
      Verifique sua resposta acessando: AutoCAD.

      Atenciosamente.

      Responder
  7. ronivaldo gonçalves teles em 08/05/2013:

    eu sempre quis aprender auto cad, mais não tive facilidade de aprender por que, tinha que trabalhar e estudar ,terminei o curso de técnico de edificações e não conseguie aprender , más agora tenho que aprender essa ferramenta tão importante para fortalecer o meu curriculum, e preciso de ajuda de vcs, me mande um videu mostrando todas as ferramentas pra mim poder começar praticar o cad, tou desempregado e preciso fazer o curso,ok ronivaldo.

    Responder
  8. Marco Antonio Teixeira Euzebio em 07/05/2013:

    Gostei muito! Estou interessado em cad de arquitetura, gostaria de receber todas as novidades de cad, nesta área.

    Responder
  9. Bruno Knischewski em 07/05/2013:

    Muito bom seu texto. Parabéns!!

    Responder

Comentários (10):